Qual o sentimento dos usuários sobre a série “O Mecanismo”?

O lançamento da série “O Mecanismo” pela Netflix, no dia 23 de março de 2018, ocupou grande parte da agenda política midiática nas primeiras 48 horas. A série, baseada na Operação Lava Jato, dividiu opiniões de assinantes, militantes e personalidades políticas.

Com declarações da ex-presidente Dilma Rousseff, o crítico de cinema Pablo Villaça e o site Brasil 247, usuários de “esquerda” criticaram a obra e foram taxativos ao afirmar que a Netflix tinha produzido uma série que “distorce a realidade, propaga mentiras e pratica o “assassinato de reputações“, nas palavras da ex-presidente Dilma Rousseff.

Diante desse cenário (e campanha orquestrada pela esquerda para boicote à série) cabe a pergunta: qual foi o sentimento expresso pelos usuários sobre a série?

Relatório de Notícias Digitais no Brasil – 2017

[vc_row animation=””][vc_column animation=””][vc_column_text animation=””]Enquanto todas as atenções estão voltadas para o Facebook, estudo do Reuters Institute e University of Oxford revela que o WhatsApp aumentou a sua influência na circulação de notícias no Brasil. De acordo com o relatório, ainda que a televisão “domine” o ecossistema midiático brasileiro, as mídias sociais estão desempenhando um papel cada vez mais importante no consumo de notícias.


Cabe destaque, na tabela abaixo para o crescimento de 7 pontos no uso do WhatsApp para circulação/consumo de notícias e a queda do Facebook (12 pontos) quando comparado a 2016. Um dos fatos que podem explicar o crescimento do WhatsApp são as promoções das empresas de telecomunicação para o uso quase ilimitado e/ou de graça para o mensageiro. Twitter consolidou-se como um site de rede social, sobretudo para se informar, enquanto o YouTube revela um potencial a ser explorado, com 36% do uso.


Mobile first!
Os smartphones ultrapassaram os computadores como o principal dispositivo para acessar notícias pela primeira vez neste ano. Dois fatores merecem atenção: bloqueadores de anúncios foram instalados em apenas 8% dos dispositivos móveis no Brasil e 22% estão dispostos a pagar por notícias na plataforma digital. Desse modo, modelos de negócios continuam em aberto e com potencial para as empresas de comunicação no país.

Modelos de negócios
Um impasse para circulação das notícias continua a ser os modelos de paywalls adotados  pelos principais jornais brasileiros. que segundo o estudo, pode reduzir o compartilhamento de notícias nas redes sociais. Por outro lado, o número de assinantes digitais registrou um crescimento constante, apesar da diminuição geral na circulação de jornais. “Em agosto de 2016, a Folha de S. Paulo anunciou que sua circulação digital superou a sua edição impressa. No entanto, a porcentagem global de nossos respondentes urbanos brasileiros que pagam por notícias on-line (22%) não mudou em relação ao ano anterior”, pontua o relatório.

Interação com os jornais
Os leitores brasileiros compartilham mais do que comentam notícias nos espaços jornalísticos (seja em caixa de comentários ou nas páginas dos veículos). A taxa de comentários é 40%, enquanto compartilhamento chega a 64%. No Brasil, o estudo revela um aspecto interessante: o compartilhamento de notícias tende a ser mais privado e mais direcionado; os usuários tendem a compartilhar uma notícia com um usuário ou um grupo de usuários em vez de com todos os amigos do Facebook ou seguidores do Twitter.

“descobrimos que as pessoas são quase duas vezes mais propensas a compartilhar notícias ou comentar nas redes sociais quando seus amigos têm opiniões políticas semelhantes, ao invés de não terem opiniões políticas semelhantes ou quando não conhecem seus pontos de vista. Mais compartilhar ou comentar entre pessoas com quem concordamos pode nos fazer sentir bem, mas também pode encorajar o tipo de polarização hiperpartidária, diz o relatório.”


 

A falta de interesse em comentar notícias e/ou notícias compartilhadas (37%) e preferência por discussões presenciais (37%) são apontadas, globalmente, como razões para um usuários comentar/compartilhar determinado assunto:


Confiança em notícias
Na média geral, no Brasil, o índice de confiança nas notícias veiculadas pelos meios de comunicação de massa corresponde a 60%. a porcentagem de pessoas que acreditam que a mídia está livre de influência de grupos políticos caiu de 36% para 30%.


Fact-checking e o jornalismo de dados

Com o borramento do campo jornalístico, onde qualquer um, desde que conectado à internet pode se tornar um potencial emissor de conteúdo, o papel do jornalista ganha cada vez mais relevância, principalmente para verificar informações, discursos públicos e as notícias falsas (fake news) que circulam a todo vapor no ecossistema comunicacional.

A checagem de notícias faz parte do habitus jornalístico, contudo com as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação, liberação do polo emissor e sites de redes sociais, a importância da verificação da informação passou a ocorrer, também, para além das redações, páginas de jornais e sites jornalísticos.

No momento em que existe um debate mundial sobre o impacto do “fake news” nas eleições nos Estados Unidos, a discussão sobre o fact-checking (verificação do fato) está em pauta na sociedade e, com mais ênfase, no campo da comunicação. Duas perguntas centrais guiam tais debates:

1- Qual o papel dos jornalistas em um cenário marcado por notícias falsas?
2- Como o jornalismo pode ajudar a desmentir ou verificar determinados assuntos?

A primeira resposta diz respeito ao desafio e oportunidades para o jornalismo, afinal em um oceano de informações, uma ilha segura nunca foi mais necessária para os leitores. Porém, para se tornar uma “ilha segura”, os jornais precisam readquirir a sua credibilidade e reformular seus respectivos contratos de leituras com a audiência.

Já a resposta para a segunda pergunta, passa, primeiramente, por compreender qual a função das notícias falsas no ecossistema midiático. Claire Wardle, da First Draft, pontua que para entender o desafio é preciso compreender três elementos:

1- os diferentes tipos de conteúdo criado e difundido;
2- as motivações de quem cria esses conteúdos;
3- as formas que se divulga esses conteúdos.

Os dois primeiros pontos é classificado pelo First Draft, uma coalizão formada por diferentes meios de comunicação e centro de investigação para elaborar estratégias para minimizar os efeitos das notícias falsas, quanto ao seus objetivos, que podem ser de paródias até mesmo manipulação de informações e contextos, conforme gráfico abaixo:

Já sobre o mecanismo de divulgação, primeiro os jornais precisam melhorar sua apuração interna sobre as notícias que divulga ou faz a recirculação. Para além das fronteiras jornalísticas, redes de bots e fábrica de trolls têm promovido sofisticadas campanhas de desinformação, o que pode influenciar a opinião pública.

O que o jornalista pode fazer?
A primeira responsabilidade dos jornalistas é apurar o próprio conteúdo publicado e, na medida do possível, verificar discursos públicos e informações compartilhadas pelos usuários. Por meio da conversa com as bases de dados, que cada vez mais tornam-se mais acessíveis, e do fact-checking (verificação dos fatos) é possível checar os conteúdos que circulam no ecossistema comunicacional.

O que você pode fazer?
1- Conte até 10 e se pergunte: essa informação causará dano a alguém? Na dúvida, não transmita;
2- Faça uma busca na internet, em site de notícias ou converse com alguém diretamente envolvido no fato;
3- Analise as fotos em sistemas de busca (basta arrastar uma imagem salva para o buscador);
4- Desconfie de títulos em fontes maiúscula;
5- Desconfie do fato narrador (quase sempre anormais) ou que merecem recompensas;
6- Analise o site (quem somos, verifique se tem endereço, um telefone de contato);
7- Verifique se a url é condizente com o título da matéria;
8- Feito tudo isso, mais uma vez respire fundo e pergunte: será mesmo verdade?

Conheça a metodologia utilizada pelo LabCaos para verificar os fatos (fact-checking)

O LabCaos segue os princípios de verificação de fatos da International Fact-Checking Network (IFCN). A metodologia adotada considera as boas práticas desenvolvidas pelo Chequeado (Argentina) e PolitiFact (Estados Unidos).

1- Selecionar uma frase para verificação;
2- Observar a relevância da frase;
3- Consultar a fonte original;
4- Consultar a fonte oficial;
5- Consultar fontes alternativas;
6- Contextualizar a informação;
7- Qualificar a análise;
8- Disponibilizar a base de dados;
9- Criar classificadores para a frase verificada.

Os classificadores são:

Correta – a afirmação é precisa.
Verdadeira, mas – a afirma é verídica, porém precisa de esclarecimentos adicionais.
Falsa – a afirmação está errada
Incorreta, mas – é parcialmente precisa, mas excluiu elementos importantes para a compreensão ou desconsidera o contexto em que a informação é noticiada.
Estamos de olho – impossível de verificar os dados neste momento.

Explicações sobre o método

Que tipo de frases são selecionadas?
Frase de agentes políticos ou personalidades públicas que possam impactar no debate sobre o agendamento midiático e, consequentemente, o debate público.

Quais os critérios de relevância?
Relevante são frases que tenham o potencial de influenciar a vida das pessoas, será publicada por meios de comunicação relevantes e é de utilidade pública.

O que é fonte original?
A pessoa responsável por tal declaração.

O que é fonte oficial?
Administração pública (em todas as esferas e poderes)

O que são fontes alternativas?
Entidades não governamentais, academia, livros e especialistas sobre determinado assunto

O que é contextualizar a informação?
Apresentar a verificação do fato (frase) em um contexto que seja possível do cidadão compreender a assertividade ou não de determinada declaração.

O que é qualificar a análise?

Acrescentar camadas de análise e dados que ajudem compreender a real situação sobre o fato que é verificado.

Por que disponibilizar a base de dados?
Todos os materiais coletados e utilizados durante a verificação são disponibilizados para que os próprios cidadãos possam tirar as suas próprias conclusões.

Para que criar classificadores para a frase verificada?
Com isso é possível finalizar o processo de verificação.