Como fazer relacionamento com os usuários nas redes sociais

Em 15 anos de experiência profissional travei uma verdadeira jornada para conviver com os trolls, haters, detratores ou qualquer outro nome carinhoso que você queria chamar. Fazer a gestão da presença digital de políticos e/ou instituições públicas/governamentais exige três princípios elementares: paciência, paciência e paciência.

Particularmente os detratores me divertem, mas já deixou muito político retado, ao ponto de perder a linha e bater boca com detratores – sejam humanos ou robozinhos programados com o ódio. Em 15 anos aprendi algumas regras básicas que sintetizei neste post (cards e texto).

O que são detratores?
São aqueles usuários (humanos, semi-humanos ou robôs) que criticaram seu conteúdo, sua foto, seu cabelo, suas ideias sem nenhum motivo; odiar é uma demostração de amor para os detratores, uma missão de vida, uma prática cotidiana.

Preciso responder?
⁣Não. Ainda que o diálogo seja o princípio básico das redes sociais, você não deve apagar fogo com gasolina. As vezes a saída é apagar o comentário, banir o usuários e não ficar mal com isso.

E se eu quiser responder mesmo assim?
Escolha suas batalhas, preferencialmente as batalhas dignas de você, do seu candidato, da sua ideia e/ou instituição. Não é todo mundo (e isso inclui as equipes de interação) que tem equilíbrio emocional, principalmente durante uma crise. O primeiro a sentir o golpe é o seu assessorado que vai te pressionar para responder ou (como acontece na maioria das vezes) irá responder de próprio punho. Acredite, não vale a pena! O desgaste será sempre da sua presença digital.

Tipologia dos detratores:

1- Provocadores: só querem chamar atenção e te fazer perder o equilíbrio. Geralmente é tiro, porrada e bomba.

O que fazer?
Bloqueio imediato!

2- Generalistas: para quem trabalha na política sabe que existe um senso comum de que político é tudo igual, então muitas vezes você vai receber a galinha pulando (traduzo: ofensa gratuita) simplesmente por ser político.

O que fazer?
Acredite, os detratores não imaginam que serão respondidos, assim um simples “olá, boa tarde fulano. obrigado pela participação” é suficiente para o troll virar seu fã.

3-Desinformados: muitas vezes um comentário ofensivo traduz a deficiência cognitiva ou, muitas vezes, a ausência de informações básicas para compreender um texto ou entender a mensagem. Lembre que na política você fala com todo mundo – de quem sabe ler, a quem não é alfabetizado, quem sabe interpretar e aqueles que pisam na grama mesmo com a placa (presever a natureza)

O que fazer?
A política é arte do convencimento. Portanto, uma resposta bem detalhada e cordial, convence em média 65% do interlocutor. Deixe a emoção de lado e seja racional. Parta do princípio que o usuário não entendeu a sua mensagem.

Salve essa publicação agora! Tenho certeza que será útil. Se você atua na política torne essas valiosas dicas (e aprendidas com muito suor) um mantra diário para sua estratégia de relacionamento com a sua audiência. Lembre: o mal por si só se destrói. Conecte-se ao amor.

 

Yuri Almeida é jornalismo, mestre em Comunicação (UFBA), especialista em Marketing (USP) e fundador do LabCaos

Estudo revela os deputados federais mais influentes nas redes sociais

Na terceira versão do estudo do LabCaos sobre a influência e popularidade dos deputados federais baianos no Facebook uma mudança significativa no ranking. Raimundo Costa (PR) segue na liderança, João Roma (PRB) subiu três posições e Dayane Pimentel (PSL) perdeu mais de 5 mil fãs após a polêmica com o clã Bolsonaro.

Conheça os deputados federais mais influentes no Facebook (30 downloads)

A pesquisa realizada pelo LabCaos, acompanha a performance e presença digital dos parlamentares nas redes sociais, analisou as páginas dos 39 membros eleitos para representar a Bahia na Câmara Federal. No estudo são identificados dois rankings; o ranking de influência – de acordo com o volume das conversações geradas pelos parlamentares – e o ranking de popularidade, que mede a quantidade da base de fãs registrada por cada deputado.

“No ranking de influência calcula-se a quantidade média de quantas vezes um fã interage com as postagens de uma página do parlamentar. É calculado dividindo-se a quantidade diária de reações, comentários e compartilhamentos pelo número de fãs. Já para definir a popularidade foi considerado o número da base de fãs de deputado”, explica o professor e responsável pelo estudo, Yuri Almeida.


Ranking
Em termos de influencia, Raimundo Costa (PR) manteve a liderança no ranking com taxa de 4,19%, seguido por Otto Alencar Filho (PSD), com 3,26%, João Roma (PRB), com 2,49%, professora Dayane Pimentel (PSL), com 2,27%, e Jorge Solla (PT), com 1,98% aparecem no top 5 do ranking.

Já quando o assunto são os deputados mais populares, o cenário foi semelhante a segunda edição. A liderança é de Pr. Abílio Santana (PR), com 459.824 fãs, seguido por Dayane Pimentel (PSL), 190.682, Nelson Pelegrino (PT), com 109.074, Arthur Maia (DEM), com 108.116, e Jorge Solla (PT), com 92.587 ocupam os cinco primeiros lugares.

Sobre o estudo
Realizado entre o dia 01 de agosto a 31 de outubro de 2019, o estudo foi feito a partir dos dados públicos disponibilizados pelo Facebook. Após raspagem, os dados foram estruturados e analisados pelo LabCaos, hub especializado em ciência de dados e gestão de mídias sociais. O estudo integra uma série especial sobre a presença e atuação dos parlamentares e instituições baianas nas redes sociais. As edições anteriores dos estudos podem ser vistas no site www.labcaos.com.br.

Baixar ebook Facebook em Sergipe

Ebook organizado pelo LabCaos, agência especializada em inteligência e monitoramento de dados, revela o perfil dos usuários do Facebook em Sergipe e a lista dos municípios sergipanos mais conectados na rede social. De acordo com o autor do ebook, o jornalista e mestre em Comunicação (UFBA), Yuri Almeida, atualmente 43% da população sergipana possui uma conta ativa no Facebook. As mulheres são maioria e 87% dos usuários acessa a rede social por meio dos dispositivos móveis.

O ebook pode ser baixado gratuitamente (31 downloads)

O autor do e-book explica que é importante compreender o perfil dos usuários e a penetração do Facebook em cada um dos municípios sergipanos para potencializar as estratégias de conteúdo, segmentação e presença digital de empresas, políticos e instituições.

“O e-book reúne indicadores importantes para se realizar uma comunicação mais assertiva, guiada por dados. Quando se compreende os dados demográficos e o comportamentos dos usuários torna-se mais ágil e eficiente produzir conteúdo específico para cada região e, o mais importante, direcionar para as pessoas que realmente tenham interesse em uma determinada informação”, explica Yuri Almeida.

Sobre o autor
Yuri Almeida é jornalista, mestre em Comunicação e Cultura (UFBA), professor e especialista em Marketing (USP). Trabalha com inteligência de dados e comunicação digital há 10 anos.

Sobre o LabCaos
O LabCaos é hub especializado em ciência de dados, inteligência e monitoramento de mídias sociais, centro de estudo, pesquisa e análise de dados, que presta serviços para empresas, instituições e políticos de todo Brasil.

Qual a importância do Facebook nas eleições de 2020?

No tabuleiro da política eleitoral, o movimento do governador do Estado, Rui Costa (PT), e do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), nas eleições de 2020 será importante para compreender os desafios e oportunidades para a disputa ao Governo do Estado em 2022.

Por um lado, o atual governador está em seu segundo mandato e precisará “fazer um nome” para sucedê-lo. Já o prefeito de Salvador terminará seu segundo mandato neste ano e precisará também eleger um sucessor. A partir de 2020, Neto ocupará apenas a presidência nacional do DEM e deve iniciar sua caminhada rumo às eleições de 2022.

No Facebook, o prefeito de Salvador tem mais fãs do que o governador; são 482.497 contra 354.570. Apesar da base de fãs menor, Rui Costa consegue melhor taxa de engajamento: 0,39% contra 0,20%. Nos últimos sete dias, o governador conseguiu, (por post) em média 259,88 compartilhamentos e 313,80 comentários, enquanto Neto registrou 167,73 compartilhamentos e 239,55 comentários.

Em 2020 será a primeira vez que uma disputa municipal ocorrerá em 45 dias e o investimento em propaganda nas redes sociais está liberado pela legislação eleitoral. Evidente, o Facebook (até por ser dono também do WhatsApp e Instagram) será o ambiente que concentrará a disputa por atenção (leia-se gasto com publicidade) e presença digital dos candidatos.

Desse modo, a primeira pergunta a ser feita por candidatos e coordenadores da campanha é: qual a quantidade de usuários do Facebook em cada município baiano? De acordo com o e-book escrito por Yuri Almeida, fundador do LabCaos, a Bahia tem 7 milhões de usuários e uma população de mais de 14 milhões de habitantes, ou seja 47% da população está conectada ao Facebook.

Considerando os 20 maiores colégios eleitorais baianos, 13 prefeitos (as) são aliados do governador. Os outros sete, cinco são administrados pelo DEM e dois pelo MDB – apesar da briga entre a família Vieira Lima com ACM Neto – os prefeitos mdebistas são aliados de Neto.

Na Bahia, de acordo com dados do TSE, são 10.570.085 eleitores e os 20 maiores colégios eleitorais totalizam 4.255.119 dos baianos que votam, ou seja 40,2% do eleitorado está concentrado nessas cidades. Logo, em 2020 será o primeiro embate direto entre Rui e Neto tendo em vista à sucessão estadual de 2022.

No infográfico abaixo é possível visualizar o total de eleitores e o percentual de usuários conectados ao Facebook:

Entre os 20 maiores colégios eleitorais, em média, 60% da população está conectada ao Facebook, o que reforça a importância do digital nas estratégias do marketing eleitoral nas próximas eleições. “São mais de 2 milhões de usuários que os candidatos precisarão atrair a atenção, dialogar e tentar converter em voto”, pontua o fundador do LabCaos.

Para Yuri Almeida dois imperativos são essenciais para que os candidatos tenham êxito: o início imediato do trabalho de inteligência de dados e monitoramento das redes sociais para identificar pontos fortes e fracos, seja dos candidatos como das cidades.

“É necessário identificar os perfis sociais e demográficos dos usuários nas redes sociais, seus interesses, atividades e opiniões. A partir disso, é necessário que as equipes de comunicação, a partir dos dados, tracem suas estratégias de presença digital mais assertiva”, opina o fundador do LabCaos.

A canonização de Irmã Dulce no Twitter

Foto: Divulgação

#Apresentação, metodologias e ferramentas
A canonização da primeira santa brasileira, Santa Dulce dos Pobres, foi um evento de repercussão internacional. O processo, realizado no Vaticano, foi pauta na imprensa e nas redes sociais. Para compreender a repercussão da cerimônia, o LabCaos coletou, por meio da API do Twitter, publicações com o termo “irmã dulce”, entre 10 a 16 de outubro de 2019. O Netlytic foi utilizado para a coleta dos termos retornando um banco de dados de 89.605 itens que foram minerados no SQLLite. As visualizações foram geradas no DataWrapper e o grafo das redes no Netlytic.

#Dados e análises
No período supracitado foram coletados 89.605 tuítes, realizados por 49.909 usuários únicos, sendo o pico de menções no domingo (13), data em que ocorreu a missa celebrada pelo papa Francisco, no Vaticano.

Ao analisar a geolocalização (desde que ativa pelos usuários) notou-se a predominância de tuítes oriundos da Bahia, acompanhado pelos demais estados do Nordeste e o estado de São Paulo.

 

Em relação as palavras mais citadas no Twitter observou-se que os termos “irmã” e “dulce” foram citado pelos usuários, seja positivamente ou negativamente, para contextualizar opiniões sobre o evento e narrar o fato em si. Os termos “canonização”, “vaticano” e “cerimônia” estiveram associados mais ao evento em si do que à Santa, inclusive com críticas aos gastos de autoridades brasileiras com a viagem ao exterior. Já os termos “santa”, “pobres” e “brasileira” foi onde se identificou usuários em tom mais celebrativo pela canonização.

Por fim, cabe destacar os termos “obras” e “bolsonaro”. Quando usados conjuntamente foram parte da ação orquestrada dos simpatizantes do presidente para espalhar a liberação de verbas pelo governo federal para o 13º salário do Bolsa Família e recursos para as obras de Irmã Dulce, em Salvador (BA). Bolsonaro (principalmente no dia 10) foi duramente criticado pela ausência no evento.

Em relação aos usuários mais mencionados no Twitter, a deputada federal, Tabata Amaral, ficou no topo do ranking, com forte polarização (positivas e negativas) ao seu posicionamento sobre o “empreendedorismo” de Irmã Dulce. Curioso observar como a parlamentar conseguiu se destacar nas conversas sobre a canonização superando os demais parlamentares e veículos de comunicação como o El Pais, Globo News e Poder 360.

A segunda no ranking @adrialcantara17 é um perfil destinado a defesa do presidente Bolsonaro e os RTs partiram, em sua grande maioria, da bolha pró-Bolsonaro, o que pode indicar que a usuária é um nó importante na rede de apoio ao presidente. Curioso observar também como os perfis pessoais de jornalistas como Gerson Camarotti foi superior a própria GloboNews – canal do qual é colunista – e o Blog do Noblat que fecha o ranking dos top 10.

Vale frisar a influência dos meios de comunicação no agendamento de conversas nas redes sociais. Quatro veículos de comunicação estão entre os 10 usuários mais citados, se somar os jornalistas Gerson Camarotti e Blog do Noblat são seis perfis entre os mais mencionados. O perfil oficial do Senado foi mencionado para questionar os gastos com os senadores e o escritor Paulo Coelho teve sua opinião sobre a canonização replicada por seus seguidores.

Em relação aos usuários mais ativos e que mais tuitaram sobre Irmã Dulce cabe observar que 8 dos 10 perfis do ranking, apenas o @vbio tem menos de 70% de chance de ser um “robô”, de acordo com o PegaBot. Existe um padrão nas demais contas em replicar conteúdos de diferentes fontes e sites, o que sugere uma ação automatizada. O perfil mathfreireb_ foi suspenso pelo Twitter.

Por fim, ao analisar a rede e ligações entre os usuários em torno da canonização é possível identificar diversos níveis de proximidade (e distanciamento) entre eles. Mais importante são as redes à margem dos principais nós – em sua maioria pautadas pela politização e/ou significação política e simbólica do evento – onde foi observada a celebração mais “religiosa” pela canonização do que o acirramento ideológico.