Dados dos partidos políticos no Brasil

Qual é o partido que tem mais filiados no Brasil?
Qual é o partido com maior número de prefeito no Brasil?
Qual é o partido com maior número de vereadores no Brasil?

Levantamento do LabCaos releva indicadores importantes para compreender o tamanho e a força dos partidos políticos no Brasil. Com as eleições 2020, tais informações são importantes para definir estratégias políticas e fazer análises mais assertivas sobre o pleito eleitoral de 2020.

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Como fazer relacionamento com os usuários nas redes sociais

Em 15 anos de experiência profissional travei uma verdadeira jornada para conviver com os trolls, haters, detratores ou qualquer outro nome carinhoso que você queria chamar. Fazer a gestão da presença digital de políticos e/ou instituições públicas/governamentais exige três princípios elementares: paciência, paciência e paciência.

Particularmente os detratores me divertem, mas já deixou muito político retado, ao ponto de perder a linha e bater boca com detratores – sejam humanos ou robozinhos programados com o ódio. Em 15 anos aprendi algumas regras básicas que sintetizei neste post (cards e texto).

O que são detratores?
São aqueles usuários (humanos, semi-humanos ou robôs) que criticaram seu conteúdo, sua foto, seu cabelo, suas ideias sem nenhum motivo; odiar é uma demostração de amor para os detratores, uma missão de vida, uma prática cotidiana.

Preciso responder?
⁣Não. Ainda que o diálogo seja o princípio básico das redes sociais, você não deve apagar fogo com gasolina. As vezes a saída é apagar o comentário, banir o usuários e não ficar mal com isso.

E se eu quiser responder mesmo assim?
Escolha suas batalhas, preferencialmente as batalhas dignas de você, do seu candidato, da sua ideia e/ou instituição. Não é todo mundo (e isso inclui as equipes de interação) que tem equilíbrio emocional, principalmente durante uma crise. O primeiro a sentir o golpe é o seu assessorado que vai te pressionar para responder ou (como acontece na maioria das vezes) irá responder de próprio punho. Acredite, não vale a pena! O desgaste será sempre da sua presença digital.

Tipologia dos detratores:

1- Provocadores: só querem chamar atenção e te fazer perder o equilíbrio. Geralmente é tiro, porrada e bomba.

O que fazer?
Bloqueio imediato!

2- Generalistas: para quem trabalha na política sabe que existe um senso comum de que político é tudo igual, então muitas vezes você vai receber a galinha pulando (traduzo: ofensa gratuita) simplesmente por ser político.

O que fazer?
Acredite, os detratores não imaginam que serão respondidos, assim um simples “olá, boa tarde fulano. obrigado pela participação” é suficiente para o troll virar seu fã.

3-Desinformados: muitas vezes um comentário ofensivo traduz a deficiência cognitiva ou, muitas vezes, a ausência de informações básicas para compreender um texto ou entender a mensagem. Lembre que na política você fala com todo mundo – de quem sabe ler, a quem não é alfabetizado, quem sabe interpretar e aqueles que pisam na grama mesmo com a placa (presever a natureza)

O que fazer?
A política é arte do convencimento. Portanto, uma resposta bem detalhada e cordial, convence em média 65% do interlocutor. Deixe a emoção de lado e seja racional. Parta do princípio que o usuário não entendeu a sua mensagem.

Salve essa publicação agora! Tenho certeza que será útil. Se você atua na política torne essas valiosas dicas (e aprendidas com muito suor) um mantra diário para sua estratégia de relacionamento com a sua audiência. Lembre: o mal por si só se destrói. Conecte-se ao amor.

 

Yuri Almeida é jornalismo, mestre em Comunicação (UFBA), especialista em Marketing (USP) e fundador do LabCaos

Qual a importância do Facebook nas eleições de 2020?

No tabuleiro da política eleitoral, o movimento do governador do Estado, Rui Costa (PT), e do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), nas eleições de 2020 será importante para compreender os desafios e oportunidades para a disputa ao Governo do Estado em 2022.

Por um lado, o atual governador está em seu segundo mandato e precisará “fazer um nome” para sucedê-lo. Já o prefeito de Salvador terminará seu segundo mandato neste ano e precisará também eleger um sucessor. A partir de 2020, Neto ocupará apenas a presidência nacional do DEM e deve iniciar sua caminhada rumo às eleições de 2022.

No Facebook, o prefeito de Salvador tem mais fãs do que o governador; são 482.497 contra 354.570. Apesar da base de fãs menor, Rui Costa consegue melhor taxa de engajamento: 0,39% contra 0,20%. Nos últimos sete dias, o governador conseguiu, (por post) em média 259,88 compartilhamentos e 313,80 comentários, enquanto Neto registrou 167,73 compartilhamentos e 239,55 comentários.

Em 2020 será a primeira vez que uma disputa municipal ocorrerá em 45 dias e o investimento em propaganda nas redes sociais está liberado pela legislação eleitoral. Evidente, o Facebook (até por ser dono também do WhatsApp e Instagram) será o ambiente que concentrará a disputa por atenção (leia-se gasto com publicidade) e presença digital dos candidatos.

Desse modo, a primeira pergunta a ser feita por candidatos e coordenadores da campanha é: qual a quantidade de usuários do Facebook em cada município baiano? De acordo com o e-book escrito por Yuri Almeida, fundador do LabCaos, a Bahia tem 7 milhões de usuários e uma população de mais de 14 milhões de habitantes, ou seja 47% da população está conectada ao Facebook.

Considerando os 20 maiores colégios eleitorais baianos, 13 prefeitos (as) são aliados do governador. Os outros sete, cinco são administrados pelo DEM e dois pelo MDB – apesar da briga entre a família Vieira Lima com ACM Neto – os prefeitos mdebistas são aliados de Neto.

Na Bahia, de acordo com dados do TSE, são 10.570.085 eleitores e os 20 maiores colégios eleitorais totalizam 4.255.119 dos baianos que votam, ou seja 40,2% do eleitorado está concentrado nessas cidades. Logo, em 2020 será o primeiro embate direto entre Rui e Neto tendo em vista à sucessão estadual de 2022.

No infográfico abaixo é possível visualizar o total de eleitores e o percentual de usuários conectados ao Facebook:

Entre os 20 maiores colégios eleitorais, em média, 60% da população está conectada ao Facebook, o que reforça a importância do digital nas estratégias do marketing eleitoral nas próximas eleições. “São mais de 2 milhões de usuários que os candidatos precisarão atrair a atenção, dialogar e tentar converter em voto”, pontua o fundador do LabCaos.

Para Yuri Almeida dois imperativos são essenciais para que os candidatos tenham êxito: o início imediato do trabalho de inteligência de dados e monitoramento das redes sociais para identificar pontos fortes e fracos, seja dos candidatos como das cidades.

“É necessário identificar os perfis sociais e demográficos dos usuários nas redes sociais, seus interesses, atividades e opiniões. A partir disso, é necessário que as equipes de comunicação, a partir dos dados, tracem suas estratégias de presença digital mais assertiva”, opina o fundador do LabCaos.

ACM Neto nas redes sociais: o que podemos aprender com o prefeito de Salvador

Eleito por três vezes deputado federal (2002, 2006 e 2010) e duas vezes prefeito de Salvador (2012 e 2016), ACM Neto é um importante cabo eleitoral nas eleições de 2020 na capital baiana. Pesquisa do Instituto Paraná, divulgada no último dia 19, sobre a sucessão à Prefeitura de Salvador, apontou que 74,3% da população (em todas as faixas etárias e de escolaridade) aprova a gestão de Neto e, na pesquisa espontânea, ele lidera com 23,8% da intenção de votos.

A boa avaliação da gestão e o capital simbólico que acumula deverão ser os principais elementos para Neto tentar fazer o seu sucessor. Tendo em vista este cenário, o objetivo do artigo é avaliar o desempenho histórico de ACM Neto nas redes sociais – considerando que a internet terá um papel fundamental nas eleições municipais. Atualmente, o prefeito de Salvador conta com 480.817 fãs no Facebook, 470.485 seguidores no Instagram e 418.817 seguidores no Twitter e, entender o comportamento das suas redes e do seu público é fundamental para traçar estratégias para as eleições de 2020.

#Metodologia
Para realizar a análise e coleta dos dados dos perfis/conta de ACM Neto nas redes sociais foi selecionado um período de 15 meses (abril de 2018 a julho de 2019) por compreender três momentos distintos: abril de 2018, quando Neto desiste da candidatura ao Governo do Estado; março de 2019, quando assume a presidência nacional do DEM; e julho de 2019, primeira visita do presidente Jair Bolsonaro à Bahia para inauguração do Aeroporto Glauber Rocha, localizado em Vitória da Conquista, sudoeste baiano. O episódio foi marcado pela disputa política pela “paternidade da obra” e, na oportunidade, Neto recepcionou o presidente, enquanto o governador Rui Costa não compareceu ao evento.

O LabCaos realiza o monitoramento sistemático de ACM Neto, por meio da raspagem de dados, diretamente na API das respectivas redes sociais. Após a coleta, os dados foram estruturados no Open Refine e a visualização dos dados foi feita no Datawrapper.

#Comportamento da base de seguidores

O anúncio da desistência da candidatura ao Governo do Estado foi realizado durante live em suas redes sociais no dia 6 de abril. Após o anúncio, a base de fãs registrou queda. Entre abril e dezembro, Neto perdeu mais de 2 mil fãs. A recuperação ocorreu no fim de dezembro (com o Réveillon e os festejos do verão). Em março, como saldo do carnaval, ao assumir a presidência nacional do DEM e o retorno sistemático dos impulsionamentos, o prefeito de Salvador voltou a crescer a sua base de fãs, tendo como pico o mês de julho, período da visita de Bolsonaro à Bahia.

No Instagram, que tende a ser a rede mais “positiva” para os políticos, a desistência da candidatura, a presidência do DEM e a visita de Bolsonaro tiveram menos impacto do que o período do verão em Salvador (dezembro a março). Os picos de crescimento ocorreram com selfies e fotos com artistas durante o Réveillon e Carnaval (destaque para publicação com Ivete Sangalo).

No Twitter, Neto registrou a maior perda de seguidores. Entre abril e dezembro, mais de 12 mil perfis deixaram de segui-lo. Apesar de retomar o crescimento a partir de janeiro, o prefeito de Salvador que contava com mais de 419 mil seguidores, até julho de 2019, não tinha conseguido voltar ao número inicial de seguidores. O melhor pico de crescimento ocorre após assumir a presidência nacional do DEM e voltar as polêmicas com o governador da Bahia, Rui Costa (PT).

#Comportamento do volume de interações

No Facebook, foi identificado uma relação da queda de fãs (e impulsionamento) com a queda no engajamento ao longo do período analisado. Depois da desistência da candidatura, nos últimos 15 meses, Neto não registrou o mesmo pico do volume total de interações. Em 2019, os melhores resultados coincidem com as campanhas pagas no Facebook de obras/entregas na capital baiana.

 

No Facebook, as reações são as interações mais frequentes na página de ACM Neto. O volume de comentários é regular, tendo como pico o mês de abril –  agenda de Neto, em Brasília, com Bolsonaro. O mesmo foi identificado no compartilhamento, métrica fundamental para “furar a bolha” nas redes sociais.

No Instagram, os melhores períodos de engajamento coincidem com os melhores períodos de crescimento seguidores (dezembro a março). Nem a visita de Bolsonaro e nem presidência do DEM resultaram em aumento do volume de interações. Apesar de ter crescido a base de seguidores, a desistência da disputa eleitoral (em abril/2018) representou também queda no engajamento do prefeito de Salvador.

No Instagram, os seguidores curtem mais do que comentam – comportamento padrão desta rede. Os picos ocorrem justamento nos períodos festivos.

No Twitter, justamente por ser uma rede mais política, apesar de perder um número considerável de seguidores, com o envolvimento de Neto na campanha eleitoral – com apoio à candidatura do demista, José Ronaldo, ao Governo do Estado, o engajamento cai em abril, mas retorna em outubro. O pico de interações ocorre com o posicionamento de Neto em defesa da Semana do Clima, realizada pela ONU, em Salvador e o meme do bandeirinha na Copa América.

No Twitter, Neto recebe mais curtida do que retuítes – o que ajuda a compreender a queda expressiva de seguidores ao longo do período analisado. O pico de retuítes – métrica importante para furar a bolha – ocorre com o meme do bandeirinha.

#Achados

  • A partir da análise dos dados de Neto – em suas contas no Facebook, Instagram e Twitter – foi possível identificar uma queda no crescimento e engajamento, após desistir de disputar as eleições estaduais em 2018 e a “pausa” no impulsionamento das publicações. Foi identificado também a redução no volume de publicações, o que indica uma “saída” dos holofotes midiáticos, agendas e presença digital.
  • A festa da virada do ano e o Carnaval (fevereiro e março) resultaram no aumento expressivo de novos seguidores (principalmente ao postar selfies com artistas). Curiosamente, com publicações sobre os festejos baianos, Neto conseguiu os melhores picos de crescimento de fãs e interações no Facebook e Instagram do que com os posicionamentos políticos. Aqui, apesar do aumento, cabe verificar qual percentual de “novos seguidores” são de Salvador e/ou de outros municípios baianos, pois, até que ponto usuários de outras cidades – que não Salvador – teriam interesse, por exemplo, em acompanhar/seguir o candidato indicado por Neto nas eleições de 2020 nas respectivas redes sociais?
  • Já no Twitter, o cenário foi diferente: quanto mais político, maior o crescimento de seguidores e volume de interações. Ao assumir a presidência nacional do DEM e ao se posicionar sobre temas políticos, o prefeito de Salvador também conseguiu ampliar sua base de seguidores e volume de interações.
  • Quando se analisa as interações mais frequentes na rede de Neto observa-se, claramente, a influência de campanhas pagas, cujo objetivo mais recorrente é o “engajamento”. Contudo, o baixo volume de compartilhamentos e retuítes sinalizam para que Neto fala para uma “bolha”, mesmo com o impulsionamento. Além disso, por ter um perfil mais “humano” é preciso avaliar quanto do total de inscritos são realmente da Bahia, para se ter uma noção mais precisa do tamanho da “bolha” de seguidores diretamente interessados nas eleições de 2020.
  • A visita de Bolsonaro também contribuiu para o aumento das métricas de engajamento e crescimento de seguidores. De modo geral, o “fator Bolsonaro” impulsionou os políticos do Nordeste. Contudo, até 2020 qual será a avaliação da gestão do Governo Federal e avaliação de Bolsonaro? Até que ponto essa aproximação de Neto com Bolsonaro se converterá em votos, considerando que Bolsonaro perdeu as eleições em Salvador?

Yuri Almeida é jornalista, mestre em Comunicação e Cultura (UFBA), professor e especialista em Marketing (USP). Trabalha com inteligência de dados e comunicação digital há 10 anos.