#Dia30VaiSerMaior

Após sete dias (23 a 29 de maio de 2019) de coletas no Twitter da hashtag #Dia30VaiSerMaior, o movimento ganhou fôlego nas redes e criou uma rede bem diversas (gráfico acima), com seis clusters bem definidos – sendo o último o com mais laços – justamente formado por “pessoas comuns” (imagem abaixo):

Pessoas comuns

Vale destacar o comportamento do volume de tags ao longo da semana:

Por fim, em relação aos termos mais “quentes”, destaques para Moro (ministro Sérgio Moro) e o presidente (Jair Bolsonaro – aqui citado por apoiadores e detratores):

Os diferentes cluster e suas relações:

http://picasion.com/

Os deputados federais baianos mais influentes e populares no Facebook

Estudo inédito realizado pelo Laboratório do Caos (LabCaos) revelou quem são os deputados federais baianos mais influentes e populares no Facebook. A pesquisa analisou as páginas dos 39 membros eleitos para representar a Bahia na Câmara Federal. A partir da análise foi elaborado o ranking de influência – de acordo com o volume das conversações geradas pelos parlamentares – e o ranking de popularidade, que mede a quantidade da base de fãs registrada por cada deputado.

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Em termos de influencia, o petista Jorge Solla lidera o ranking com taxa de 4,4%, seguido por Otto Alencar Filho (PSD), com 4,0%, Zé Neto (PT), com 2,7%, professora Dayane Pimentel (PSL), com 2,4%, e Tito (AVANTE), com 2,1%. Fechando a lista dos 10 deputados mais influentes no Facebook estão Raimundo Costa (PR), com 2,0%, Pastor Alex Santana (PDT), com 1,5%, João Roma (PRB), com 1,3%, Pastor Sargento Isidório (AVANTE), com 1,1%, e Daniel Almeida (PCdoB), com 1,1%.

“O critério para definição da influência dos deputados no Facebook foi a taxa de engajamento. A métrica mostra a quantidade média de quantas vezes um fã interage com as postagens de uma página. É calculado dividindo-se a quantidade diária de reações, comentários e compartilhamentos pelo número de fãs. Já para definir a popularidade foi considerado o número da base de fãs de cada parlamentar”, explica o professor e responsável pelo estudo, Yuri Almeida.

Já quando o assunto são os deputados mais populares, o cenário é diferente com a liderança de Pr. Abílio Santana (PR), com 460.744 fãs, seguido por Dayane Pimentel (PSL), 176.288, Arthur Maia (DEM), com 109.147, Nelson Pelegrino (PT), com 107.112, e Jorge Solla (PT), com 90.512. Na lista dos 10 mais populares constam ainda Lídice da Mata (PSB), com 79.665, Marcelo Nilo (PSB), com 76.269, Alice Portugal (PCdoB), com 74.563, Pastor Sargento Isidório (AVANTE), com 67.568, e Bacelar (PODE), com 62.400.

Partidos
O estudo analisou também a representatividade dos partidos dos deputados federais. O Partido dos Trabalhadores (PT) registrou maior votação e taxa de engajamento. Influenciado pelo pastor Abílio Santana, o PR é o partido com maior número de fãs.

Na avaliação de Yuri Almeida alguns pontos merecem atenção: 8 dos 10 deputados mais influentes estão no primeiro mandato, o que materializa o clima de anseio por “renovação política” nas últimas eleições e como a internet teve papel relevante para esses parlamentares. O outro ponto é que apenas três deputados (Jorge Solla, Dayane Pimentel e Pastor Isidório) estão nos dois rankings, ou seja, “ter uma grande base de fã não é sinônimo de diálogo com os usuários. Os deputados precisam entender as redes sociais como um espaço de atuação do mandato e não apenas uma vitrine para suas ações”, defende.

Sobre o estudo
Realizado entre o dia 4 de fevereiro a 30 de abril de 2019, o estudo foi feito a partir dos dados públicos disponibilizados pelo Facebook. Após raspagem, os dados foram estruturados e analisados pelo LabCaos, hub especializado em ciência de dados e gestão de mídias sociais. O estudo integra uma série especial sobre a presença e atuação dos parlamentares e instituições baianas nas redes sociais. No estudo anterior foi analisado a atuação dos deputados estaduais da ALBA. O estudo completo pode ser visto no site www.labcaos.com.br.

Direito à informação como prerrogativa da cidadania

A democracia é um sistema continuum cujo cerne é democratizar-se ainda mais. Para tal processo, o direito à informação deve ser visto não como um “provimento”, mas sim como uma “prerrogativa” do conceito e/ou noção de cidadania, principalmente na era sociedade em rede.

Este ensaio tem como base o livro “Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet” (Manuel Castells, 2012) e o artigo “O conceito de cidadania, origens históricas e bases conceituais: os vínculos com a Comunicação” (Victor Gentilli, 2002) após o rico debate no do Grupo de Pesquisa – do qual sou membro – Comunicação e Mídias Pós-Massivas na Cidade Contemporânea (GCMPC/UCSAL), coordenado pelos professores Marcello Chamusca e Márcia Carvalhal.

 

 

 

O conceito de democracia tomamos de empréstimo de Norberto Bobbio (1986), cuja definição é uma sociedade “caracterizada por um conjunto de regras (primárias ou fundamentais) que estabelecem quem está autorizado a tomar decisões coletivas e com que quais procedimentos (Bobbio, 1986). O argumento é sustentado por três regras básicas:

1-referente à modalidade de decisão;

2-definição de quais cidadãos devem participar dos processos decisórios;

3-processos de decisão ou escolha dos seus representantes.

Tal modelo vai constituir a “sociedade liberal democrática”, onde a mudança crucial foi transformar pessoas privadas em sujeitos da esfera pública, conforme sinalizado por Habermas (1984). Essa transição implica um alicerce social, onde são respeitadas as necessidades e capacidades humanas (pelo menos em tese), contudo o exercício do direito político é uma decisão pessoal, uma prerrogativa.

“Nas modernas sociedades de massa, é simplesmente impossível imaginar a vida de um cidadão no exercício pleno de seus direitos políticos. Direitos políticos e civis são direitos emancipatórios, são possibilidades que se abrem para o indivíduo, que, autonomamente, decide sobre seu usufruto ou não.” (Gentilli, 2002, p. 38)

Para Gentilli (2002), o conceito hoje de liberdade não está mais associado ao modelo ateniense de “poder participar das decisões”, mas sim, vinculado cada vez mais à esfera privada, onde o julgamento individual acaba sendo a premissa efetiva da democracia de massas. E, justamente, nesse novo rearranjo social – de potencialização da individualidade/privacidade e mediações na sociabilidade – que o direito à informação precisa caminhar ao lado da cidadania, pois como “direito-meio”, a informação é capaz de realizar os direitos políticos, humanos e civis.

A crítica aqui é sobre o hiato acadêmico entre cidadania e direito à informação, sendo este visto como um direito secundário, ou um direito-meio; importante para a realização de outros direitos. Porém, a informação não pode ser compreendida apenas como um “provimento”, mas sim como uma “prerrogativa”, diferente do que sustenta Dahrendorf.

“É um direito que fomenta o exercício da cidadania necessário ao exercício pleno do conjunto dos direitos de cidadania e, portanto, um fator decisivo no processo de aprofundamento democrático. Como conseqüência do raciocínio, o entendimento de que o acesso à informação é uma porta de acesso a outros direitos: numa sociedade de massas moderna, o acesso à informação jornalística, por parte do cidadão, pode potencialmente vir a consistir num direito que assegura outros direitos, confere condições de igualização de sujeitos e oferece a visibilidade ao poder e ao mundo”. (GENTILLI, 2002, p.42)

Ao passar a compreensão da esfera política e direito à informação, reforça ainda mais a importância da comunicação. Aqui a informação precisa ser mais plural para permitir ao cidadão a sua escolha, sobretudo para a decisão do voto, e dar visibilidade e transparência da esfera pública.

“A informação jornalística é, simplesmente, indispensável para o estar no mundo nos dias de hoje. O que alguns autores chamam de “necessidades sociais da informação” é hoje suprida sobretudo pelo jornalismo. Não se quer dizer com isso que seja impossível a vida em sociedade sem o consumo da informação jornalística produzida pelas mídias. Mas a realidade é que todas as informações indispensáveis para a vida em sociedade chegam, hoje, aos homens, de forma mediada e não direta” (GENTILLI, 2002, p.41).

A igualdade no acesso às informações é uma das premissas básicas de uma sociedade democrática, portanto a liberdade de expressão é fundamental para concretizá-la, afinal quanto maior o alargamento da cidadania, maior a necessidade de informação. Na cidade contemporânea, a comunicação não é mais estruturada no polo um-todos, mas potencializa e concretiza o direito à informação, considerando que seu modelo é “autocomunicação de massas” cuja plataforma tecnológica é a “cultura da autonomia”.

Ao refletir sobre os novos contornos da cidadania e seus processos de participação política, sobretudo, após os movimentos sociais em rede, Castells (2002) pondera que a relevância destes está na produtividade histórica e social tanto nos participantes como na sociedade que ele tentou transformar. “O legado de um movimento social consiste na mudança cultural que produziu com sua ação” (CASTELLS, 2002, p. 141).

Para Castells, os movimentos sociais em rede trazem em si uma potencialidade: uma nova forma de democracia, tendo como premissas “novas formas de deliberação, representação e tomada de decisão na política. Isso porque a governança democrática eficaz é um pré-requisito para a concretização de todos os projetos e demandas (CASTELLS, 2012, p.141).

“Esses movimentos sociais em rede são novos tipos de movimento democrático – de movimentos que estão reconstruindo a esfera pública no espaço de autonomia constituído em torno da interação entre localidades e redes da internet, fazendo experiências com as tomadas de decisão com base em assembleias e reconstituindo a confiança como alicerce da interação humana” (CASTELLS, 2012, p.141)

Relatório de Notícias Digitais no Brasil – 2017

[vc_row animation=””][vc_column animation=””][vc_column_text animation=””]Enquanto todas as atenções estão voltadas para o Facebook, estudo do Reuters Institute e University of Oxford revela que o WhatsApp aumentou a sua influência na circulação de notícias no Brasil. De acordo com o relatório, ainda que a televisão “domine” o ecossistema midiático brasileiro, as mídias sociais estão desempenhando um papel cada vez mais importante no consumo de notícias.


Cabe destaque, na tabela abaixo para o crescimento de 7 pontos no uso do WhatsApp para circulação/consumo de notícias e a queda do Facebook (12 pontos) quando comparado a 2016. Um dos fatos que podem explicar o crescimento do WhatsApp são as promoções das empresas de telecomunicação para o uso quase ilimitado e/ou de graça para o mensageiro. Twitter consolidou-se como um site de rede social, sobretudo para se informar, enquanto o YouTube revela um potencial a ser explorado, com 36% do uso.


Mobile first!
Os smartphones ultrapassaram os computadores como o principal dispositivo para acessar notícias pela primeira vez neste ano. Dois fatores merecem atenção: bloqueadores de anúncios foram instalados em apenas 8% dos dispositivos móveis no Brasil e 22% estão dispostos a pagar por notícias na plataforma digital. Desse modo, modelos de negócios continuam em aberto e com potencial para as empresas de comunicação no país.

Modelos de negócios
Um impasse para circulação das notícias continua a ser os modelos de paywalls adotados  pelos principais jornais brasileiros. que segundo o estudo, pode reduzir o compartilhamento de notícias nas redes sociais. Por outro lado, o número de assinantes digitais registrou um crescimento constante, apesar da diminuição geral na circulação de jornais. “Em agosto de 2016, a Folha de S. Paulo anunciou que sua circulação digital superou a sua edição impressa. No entanto, a porcentagem global de nossos respondentes urbanos brasileiros que pagam por notícias on-line (22%) não mudou em relação ao ano anterior”, pontua o relatório.

Interação com os jornais
Os leitores brasileiros compartilham mais do que comentam notícias nos espaços jornalísticos (seja em caixa de comentários ou nas páginas dos veículos). A taxa de comentários é 40%, enquanto compartilhamento chega a 64%. No Brasil, o estudo revela um aspecto interessante: o compartilhamento de notícias tende a ser mais privado e mais direcionado; os usuários tendem a compartilhar uma notícia com um usuário ou um grupo de usuários em vez de com todos os amigos do Facebook ou seguidores do Twitter.

“descobrimos que as pessoas são quase duas vezes mais propensas a compartilhar notícias ou comentar nas redes sociais quando seus amigos têm opiniões políticas semelhantes, ao invés de não terem opiniões políticas semelhantes ou quando não conhecem seus pontos de vista. Mais compartilhar ou comentar entre pessoas com quem concordamos pode nos fazer sentir bem, mas também pode encorajar o tipo de polarização hiperpartidária, diz o relatório.”


 

A falta de interesse em comentar notícias e/ou notícias compartilhadas (37%) e preferência por discussões presenciais (37%) são apontadas, globalmente, como razões para um usuários comentar/compartilhar determinado assunto:


Confiança em notícias
Na média geral, no Brasil, o índice de confiança nas notícias veiculadas pelos meios de comunicação de massa corresponde a 60%. a porcentagem de pessoas que acreditam que a mídia está livre de influência de grupos políticos caiu de 36% para 30%.